Seu filho está pronto para tanta responsabilidade na escola?



A implantação do ensino fundamental de nove anos levanta a discussão sobre o tema

A GAZETA

Priscilla Thompsonppessini@redegazeta.com.br

Implantado no início do ano, com o objetivo de ampliar o período de formação escolar, o ensino fundamental de nove anos causa uma nova preocupação para pais e educadores: até que ponto as crianças estão preparadas, aos 6 anos, para o que exigem as escolas? A orientação do Ministério da Educação (MEC) é que as etapas da educação não sejam "puladas". No entanto, segundo psicólogos, toda a responsabilidade investida na criança tem sido antecipada em nome do cumprimento dos requisitos da antiga 1ª série.

Diferentemente do que era exigido, no "novo" 1º ano cabe às escolas preparar os alunos para a alfabetização que deverá acontecer apenas no ano seguinte. Para quem está iniciando a vida escolar, aprender a ler, escrever, contar e até mesmo a interpretar é tarefa demais, afirma a psicopedagoga Cybele Meyer.

"É muito precoce. Nessa idade, a criança ainda não tem a capacidade de concentração necessária para ler, escrever e, ainda por cima, ser capaz de interpretar textos, por menores que eles sejam. A concentração e as habilidades psicomotoras ainda não estão completamente desenvolvidas", diz.

Os prejuízos para a aprendizagem, quando ela acontece de maneira forçada, podem ser grandes: dificuldade de concentração, atraso no desenvolvimento e até mesmo angústia.

"A escola e, consequentemente, a família passam a esperar desse aluno uma maturidade que ele ainda não tem, principalmente quando a fase pré-escolar é suprimida da formação. Muitas escolas acabam não esperando a maturidade individual da criança acontecer naturalmente", afirma a psicopedagoga Maria José Cerutti Novaes.

Ela diz, ainda, que seis meses na vida de uma criança fazem muita diferença. Mas há casos em que, naturalmente, o aprendizado acontece antes do esperado, e traz resultados positivos. Aos pais, no entanto, fica o alerta de que a criança saber escrever o nome antes de entrar na escola não significa, necessariamente, que ela esteja apta a ir adiante. "Essas são operações aprendidas por meio de estímulos iniciais, durante uma fase que ainda é de transição, e não de alfabetização", explica.

Quer saber como preparar o seu filho para a alfabetização e o que esperar dele na idade certa? Acompanhe as dicas dos especialistas e fique atento para não exigir demais dele.

Ensino Fundamental. A matrícula de alunos aos cinco anos no 1º ano do ensino fundamental teve início a partir da implantação do ensino fundamental de 9 anos, que se tornou obrigatório em 2010. No Estado, a matrícula só pode ser feita para quem faz 6 anos até 30 de junho.

Análise

Aprendizado requer tempo e apoio


Cheila Araújo Mussi
Psicopedagoga
O processo de alfabetização requer tempo para a construção de hipóteses, experimentação e confirmação do que foi vivido. Quando esse tempo não é respeitado, a criança pode ser classificada como portadora de dificuldade de aprendizagem, o que não é real. O que ela não possui, ainda, são os recursos mentais necessários para essa aprendizagem. Nessa fase, a criança ainda está se conhecendo, aprendendo a lidar com seus recursos. Está aprendendo a se relacionar, interagir e dividir uma atenção que até então era dada especialmente a ela. Tem um imaginário rico, necessidade de se movimentar, e seu tempo de concentração é pequeno. Sua grande necessidade é brincar. Esses fatores, se levados em consideração pela família e pela escola, facilitarão o processo de alfabetização, que se dará naturalmente. Quando, porém, eles são desconsiderados, começam a surgir as distorções. Alfabetização é muito mais que ler e escrever.

Criança pode expressar dificuldade de várias formas
Se o seu filho chega em casa e, ao tentar resolver as tarefas passadas pelo professor, se angustia diante das dificuldades, é bom ficar de olho. De acordo com a psicopedagoga Maria José Cerutti Novaes, esse pode ser um dos sinais de que algo no aprendizado da criança pode não estar indo bem.

Outros sinais, segundo ela, são: medo, baixa autoestima, insegurança e dificuldade de concentração. "Quando a criança não consegue aprender, ela expressa essa dificuldade de diversas formas. Isso se dá principalmente quando alguma etapa do processo cognitivo foi ?pulada? ou não corretamente aprendida", afirma.

A alfabetização precoce, segundo a psicopedagoga Cybele Meyer, pode levar a esse tipo de reação por parte da criança. "Aos 5, 6 anos, seis meses fazem muita diferença. Se esse tempo não é respeitado, alguma coisa pode ser perdida no meio do caminho. E isso só vai ser percebido lá na frente, quando outras habilidades, mais complexas, forem surgindo", alerta a especialista.

Fonte: Gazeta online

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3 comentários:

Dú Pirollo disse...

Meu caro amigo Marivan, boa noite!!!
Acho viável este acréscimo de mais um ano, seria um ano para a preparação do aluno antes da alfabetização, no meu entender seria uma base interessante.
Parabéns pela excelente postagem, adorei!!!
Grande abraço e muita paz!!!

Gatapininha disse...

Olá
Em Portugal existe o pré escolar, antes de entrar no 1º Ciclo.
Não é obrigatório, pois o governo não tem capacidade de resposta, mas existe em muitas das escolas e quase todos conseguem fazer o ano antes da entrada no 1º ciclo.
As minhas filhas fizeram no público e no privado e acho que tem muita vantagem em fazer. É uma adaptação ao meio escolar, para muitos o inicio do cumprimento de normas e regras.
Só vejo vantagens.

Telma disse...

Antes dos seis anos a criança deveria brincar muito, deveria poder exercer seu direito de ser irresponsável. Depois da alfabetização a gente nunca mais tem sossego na vida...

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